quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dia do Pai



Num dia normal de aulas a professora de ensino primário chega à escola e diz:

- Bom dia meninos! Sabem que dia é hoje?

- Sim, professora! É o Dia do Pai.

- Isso mesmo. Acertaram, é o dia em que vocês têm de dar uma especial atenção aos vossos pais. Um beijinho de agradecimento por tudo o que eles vos fazem, um abracinho apertado que lhes mostre que vocês são os melhores filhos do mundo, é isso que tem que fazer neste dia. Aqui na escola vocês vão fazer um desenho onde coloquem tudo o que vos faça lembrar os vossos pais. Quando terminarem o desenho, escrevam “Feliz Dia do Pai” e o vosso nome. Depois das aulas, quando virem o vosso pai, dão-lhe o desenho e vão ver como ele vai ficar feliz.

Uns começaram por desenhar as ferramentas que os pais utilizavam nos seus trabalhos, outros desenhavam certas características físicas dos mesmos e, enquanto os alunos estavam empenhados a desenhar, a professora estava atenta ao seu aluno Francisco. Este não estava a desenhar, mantinha-se obcecado pelo branco da sua folha de papel.

- Francisco… Não fazes o desenho para o teu pai?

- Professora, o meu pai está no céu.

E, neste momento, a professora lembrou-se que o pai do Francisco tinha falecido há dias e que o que todos os adultos lhe tinham dito é que o pai tinha ido para o céu. Normalmente, é o que se diz aos mais novos, se alguém morre de imediato se diz que determinada pessoa teve de ir para o céu. Embora a professora tenha hesitado, continuou a responder-lhe.

- Sim, eu sei Francisco, mas tu lembras-te do teu pai, eu sei que sim, podes pensar nele e no que ele fazia e desenhar o desenho para ele, o que dizes?

- Acho boa ideia, a professora tem razão – responde o Francisco.

Chegando ao final a aula todos tinham terminado o desenho pedido pela professora, incluindo o Francisco, que após o incentivo da professora, rapidamente, terminou o desenho composto por lembranças do seu falecido pai.

A felicidade de todos não era indiferente. Eles tinham noção que iriam ver os seus pais felizes. Ao final do dia, em casa, todos eles entregaram o desenho e deram o abraço apertado que a professora aconselhou a darem, já o Francisco…

O Francisco ao chegar a casa mostrou o desenho à mãe e disse que era um desenho para lembrar o pai que está no céu. Neste momento, a mãe criou dentro de si uma ira tão grande, que conseguiu manter aos olhos do pequeno Francisco, mas apenas aos olhos deste, pois a sua raiva transbordava todo e qualquer corpo. A tristeza de ter perdido o pai do seu filho e a ingenuidade do Francisco fizeram com que a mãe, fragilizada com a morte do seu marido, criasse uma fúria enorme dentro de si. Contudo, o Francisco continua entretido.

- Cuidado Francisco - grita a mãe - tem cuidado com a janela. O que estás a fazer?

- Estou a pôr o desenho do pai no estendal da roupa para ele ver o desenho que eu fiz na escola lá do céu, onde ele está.

Neste momento a mãe não disse nada e o Francisco terminou o que estava a fazer. Durante a noite a mãe não aguentou! Foi à janela e tirou de lá o desenho feito pelo filho. Num momento de loucura, entre lágrimas, rasgou cada centímetro do desenho. Quando se apercebeu do que tinha feito, não queria acreditar e, de imediato, ligou para o psicólogo que tinha acompanhado a família após a morte do pai do Francisco.

- Boa noite Henrique… – dizia a mãe chorando e contando toda a história que se tinha passado.

- Não se preocupe, tenha calma, faça o que eu lhe digo, amanhã de manhã reaja como se não tivesse acontecido nada e, se alguma coisa de anormal acontecer ligue-me.

De manhã, a mãe já está na cozinha quando o Francisco acorda, e a sua primeira preocupação é em ir ver como está o desenho que fez para o seu pai. Aproximando-se da janela vê que o desenho não está lá e diz:

- Vês mãe! Eu sabia que o pai vinha buscar o meu desenho.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Receita Médica: Rir o mais possível durante todo o dia.



Nas épocas medievais, o riso era temido por afastar o medo. Numa altura em que poucos eram alfabetizados o riso poderia despertar maior liberdade de interrogação, sobre o mundo em que se vivia, a quem permanecia de olhos abertos, mas a olhar para onde queria a igreja cristã, da Idade Média. Ou seja, o gesto de rir era temido pelo facto de findar com quem tanto temia. O riso iria ser a porta aberta para a luta contra a mistificação, contra o poder e contra o esvaziamento dos valores pela demagogia.

Quantas situações do nosso dia-a-dia são resolvidas com o mero sorriso? Vou às finanças pedir um documento e, para isso, é preciso o bilhete de identidade, por azar, esqueci-me dele em casa. O documento é-me mesmo urgente e a repartição das finanças fecha às 17.00 horas, são 16.50 horas, é impossível ir a casa. Desde logo se recorre ao gesto mais fácil de apelo à simpatia do senhor, que me vai atender, o maior sorriso de sempre e com muitos “dê lá um jeitinho, por favor, Deus não dorme, acredite…”. Ou então, numa situação de embaraço, esqueci-me de colocar dinheiro na minha carteira, só dou por esse facto no acto de pagamento. “ - Ups, importa-se que venha cá pagar daqui a pouco, eu não me esqueço…” e, tudo isto com aquele sorriso amarelo que não sabe bem o que vai receber em troca. O riso costuma funcionar muito bem nestas situações porque o nosso cérebro está formatado para a compreensão de “do ut des”, ou seja, dou para que tu dês.

Desde sempre, que o humor levantou problemas, pelo menos até 1974, o humor ainda era das poucas armas que podia ser utilizada para dar opiniões e demonstrar ora agrado, ora desagrado por algumas medidas políticas e religiosas. Contudo, muitas vezes a mensagem era óbvia demais e a sátira era, tristemente, censurada.

Já na Arte Grega se reconhecia o valor do sorriso. Naquilo que era uma representação idealista do corpo humano, destacava-se os sorrisos sublinhando a alegria e a felicidade, podendo ainda ser vistos como expressão de vitalidade, uma vez que o ser humano falecido já não pode sorrir. Sorrir é ganhar vida! O mundo continua a confundir um ser sério de um ser sisudo. Uma pessoa séria ri com agrado, uma pessoa sisuda pode fazer tudo, menos rir. Espero que as pessoas não pensem que quanto mais riem menos sérias são, pois é uma grande mentira.

Recorrendo novamente às palavras de um mestre, Eduardo Sá, ”só as pessoas que se comovem são capazes de rir”. E é tão verdade! Rir dá vida, comove, encoraja, não tem preço, descansa e relaxa qualquer tipo de dor… Na minha opinião, a palavra RIR é um acrónimo que quer dizer: Receita Indispensável Regular.

Só não gosto dos risos forçados, esses perdem tudo o que os verdadeiros ganham. Das gargalhadas activas aos sorrisos mais envergonhados todos eles são fundamentais. O riso exercita quase todos os músculos faciais e outros abdominais. Rir relaxa-nos da tensão que são os nossos dias. Com o riso o nosso ritmo cardíaco pode chegar aos 120 batimentos por minuto aumentando a oxigenação das células. Para os pulmões as gargalhadas ajudam porque conseguimos fazer uma inalação de ar mais profunda e o excesso de dióxido de carbono é eliminado. Por isso, temos que rir mais, a nossa saúde exige o riso seja aumentado durante o dia.

Pense no que o sorriso lhe pode trazer, um pessoa que sorri consegue contagiar as pessoas que a rodeiam e assim propiciar um ambiente de maior felicidade. As pessoas que sorriem, e que são bem-humoradas têm outra realidade na vida diária, certamente, melhor.

As provas estão mais que dadas, rir ajuda-nos tanto ao nível físico como emocional sem nos cobrar rigorosamente nada por isso. Concluo que quem ri com mais frequência tem uma vida muito mais saudável e alegre do que uma pessoa sisuda. Vamos apelar aos médicos que comecem a recomendar mais a “RIR” durante o dia, nem que seja rir de si mesmo…

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Educar quem guia!


Há muito que a instrução de futuros pais devia de ser levada a sério. Muitos dos problemas que fazem com que as crianças sejam indefesas, pouco autónomas e inseguras advém dos comportamentos dos educadores, que incessantemente, educam as crianças como se vivêssemos noutro século, ou como se estas tivessem de viver como marionetas.

Diariamente, temos conhecimento de casos de bullying. Estes casos são um reflexo dos preconceitos existentes na sociedade actual e também de uma fraca intenção de acabar com os mesmos. A prática de bullying é um caso de preocupação para todos os educadores estejam eles mais ligados a uma escola, ou nem tanto. Os pais devem ser os primeiros responsáveis por estas práticas assombrarem as escolas, pois a principal vigia às crianças deve estar a cargo de quem, supostamente, se responsabiliza por elas. Porém, note-se o que se entende por “vigia”, não é controlo, nem deve ser uma dor de cabeça para os pais, pelo contrário, deve ser um prazer manter a atenção necessária aos nossos filhos, para que estes tenham uma infância repleta de conhecimentos que as levem a interrogar o que está mal, e assim criar melhores adolescentes e, consequentemente melhores adultos.

É por este, e por outros motivos, que apelo à criação de centros de formação de pais. Ninguém nasce ensinado, e muito menos ensinado a educar e a fazer feliz uma criança. Crie-se um curso, “Formação de pais”, criem-se disciplinas,”Direito das crianças”, “História do Século XXI”, “Cuidados e Mimos”, “A atenção certa”, “Brincar e Ensinar”, “O melhor do mundo é o que fazemos com o que as crianças nos dão”, e teremos um mundo muito melhor.

Gosto de pessoas que vêem a beleza que poucos conseguem observar. Como gosto de pais que saibam pensar num crescimento do seu filho de uma forma mais autónoma. Almada Negreiros dizia que, “Isto não é um país, é um sítio e ainda por cima, mal frequentado”. Eu prefiro dizer que este é um país com pais mal-educados que não sabem ensinar os seus filhos a crescer. É por querer que este país tenha melhores pais que apelo à formação destes educadores.

Para que, qualquer dia as crianças não tenham que criar sindicatos, que se crie instrução para os pais. Que se perceba que as crianças precisam de tanta atenção como autonomia. Que se comece a educar quem guia.

sábado, 13 de novembro de 2010

Princesa de Preto

Estava a sonhar. Sempre de olhos fechados, pois a escuridão dava-lhe segurança e garantias de que o sonho se realizasse. Nunca entendi muito bem porque é que a falta de luz a inspirava! Um dia disse-me que tinha sonhado com o seu casamento… Algo bom demais para ela. Para ela, tudo nos sonhos era escuro, nem sei como sonhava tão bem… Descrevia-me cada sonho como uma paisagem repleta de nevoeiro mas para ela era tudo muito claro.

O sol pela manhã, o abrir de uma janela, um acordar repentino, até o brilhar da lua a incomodava, talvez por estes períodos serem antes ou depois dos seus sonhos. Para mim, ela irradiava luz. Para ela… Eu nunca soube bem o que ela achava de mim. Eu sou um bom conversador, ela uma boa ouvinte, mas um bom ouvinte também é um bom conversador, por isso, acho que estávamos bem um para o outro. Contou-me um dia que gostava de casar, eu não me importava, mas para ela era só um sonho temporário, que podia vingar ou não. Cá para mim, este seu sonho não era como ela desejava, nunca mais me falou nele. Para ela, o seu casamento teria de ser com um vestido preto com alguma alternância com cinzento e branco, nada mais, e depois os perfumes das suas avós, para os dias de festa, dar-lhe-iam vómitos, até seria um bom desastre.

Quando amamos, tudo o resto nos é indiferente, as opiniões, os pensamentos. Se estamos bem, porquê pensar nos outros? Muitas vezes os outros só querem evitar o nosso contentamento. Mas todos os amores são diferentes, com parecenças comuns e visíveis. Entre mim e ela só existia uma cor, sem dúvida, o preto. Tinha como nome Alice. Eu adorava o nome, transmite-me paz, sossego, tranquilidade mas ela embora conseguisse juntar isto tudo, também, quando era preciso, tinha uma energia como ninguém. Era isso que adorava nela, um agregado de tudo o que eu estimava. Dia 3 de Julho de 1993: casámos. O sonho dela melhorou e mais uma vez o concretizou com a força que a caracterizava para resolver os seus sonhos. Foi um dia bonito, pelo menos para mim, para ela, com cor a mais, ou melhor, com menos preto… Éramos felizes, completávamo-nos, vivíamos com muita vontade e viver, porque já dizia Mia Couto: “estar vivo, não é viver…”.

Tudo tem um fim. E ela partiu mais cedo do que eu esperava, foi dormir o sono dos justos, porém, nunca mais ouvi o relatar dos seus sonhos. No dia do seu funeral, se ela estivesse viva seria o dia mais feliz da sua vida. Tudo se vestiu de preto só para a ver partir, todos se vestiram de preto para ela. Acredito que este momento tenha sido um dos seus sonhos, o seu último sonho concretizado, com a particularidade de estar mais uma vez de olhos fechados, não sei se a sonhar... Mais uma vez vestida de preto, com uma gola cinzenta, deitada na urna africana. Fiquei triste, chorei, tinha perdido parte de mim, mas depois abri os olhos, algo que ela não gostava de fazer, principalmente de manhã, e foi aí que percebi: ela era uma princesa. Uma princesa à sua maneira mas sempre uma princesa. De manhã, só acordava sorrindo se fosse com um beijo meu, definitivamente, pormenor de princesa! Diferente mas ao meu gosto, nunca me vou esquecer do ar soberano que trazia e espalhava. Só podia ser a Princesa de Preto do planeta, a Princesa de Preto do meu planeta.

Agora sonho eu, por ela, com ela, por causa dela mas sem a companhia dela…

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os recreios da vida!

As escolas deviam de criar tanto tempo para as salas de aulas como para os recreios. As crianças aprendem enquanto brincam! E os livros arrumam com a paciência dos adolescentes o que faz com que a aprendizagem se torne um massacre, invés de uma brincadeira que os prepare para a vida.

Nas escolas diminuiu-se a brincadeira, diminuíram-se os sorrisos e, pior que tudo, diminuíram-se os sorrisos enquanto se brinca. É imperial que os professores façam parte da família alargada das crianças e não permaneçam, apenas, como domadores de pequenos selvagens. Os recreios deviam de existir com os professores e não com a ausência deles. Brincar com quem sabe o jogo da vida só pode dar um bom resultado em aumento do conhecimento dos adolescentes. E por favor, não pensem que se pode brincar sozinho. Brincar sozinho nunca pode ser brincar. Brincar sozinho é uma forma de iludir a falta de brincadeira… Penso que a confusão persista entre “estar entretido” e “estar a brincar”, embora estando a brincar se está entretido, estar entretido não é sinónimo de estar a brincar e muito menos de estar a aprender. Eduardo Sá, psicólogo clínico, afirma que “a escola devia de ser onde se descobre que brincar é aprender a dois ou muitos mais, e quem não brinca decora e repete, mas não corrige: reprova.” Uma escola não deve procurar fabricar adultos, mas sim, perpetuar a “idade dos porquês”. E para que esta idade faça sentido, são precisas no mínimo duas pessoas: quem pergunta e quem dá a resposta.

Continuando embalado em palavras de Eduardo Sá, lembro-me de ouvir: “Desculpem o desabafo, mas devíamos fechar a educação para obras, para balanço, para mudança de ramo ou para trespasse. Seja para o que for, tudo será melhor do que este «vai-se andando» que entontece e nos magoa”. Para mim, este é um comentário preocupante e que procura alertar o país para os problemas da educação, mais que isso, procura mostrar que a aprendizagem, e a forma como esta se processa, precisa de muita mais atenção para que possa surgir uma mudança favorável numa das áreas mais importantes de qualquer país: a educação.

Concluo, pedindo que se brinque mais. Que se ensine a brincar em prol de maior conhecimento e de jovens cada vez mais cultos e autónomos. A vida tem que ser bem aproveitada e, para isso, é necessário que se aprenda a viver melhor nos poucos recreios que a vida tem.

sábado, 22 de maio de 2010

Ganhar a vida!


A expressão “ganhar a vida” tem uma conotação que me assusta. Normalmente, oiço estas palavras quando alguém quer dizer que vai trabalhar, vai para o seu emprego, vai entrar ao serviço durante determinadas horas, permitindo que ao final do mês possa receber o salário que, geralmente, não é o justo.

Considero que ganhar a vida não é trabalhar para sobreviver. No mínimo, ganhar a vida é aproveitar o que se ganha com o trabalho, não apenas dinheiro, mas também, por exemplo, liberdade, conhecimento, independência, experiência e até sabedoria…

A vida de muita boa gente só tem sido perdida, nunca ganha. Lamento! Alguém que compra um carro caro, deixa-o na garagem e não lhe dá uso porque tem medo que seja riscado. É como nas vidas, não lhes dão uso! E diga-se, as vidas são mal empregues a muita boa gente que as desperdiça. Quem me dera a mim ter as vidas de quem não quer viver, e muitas vezes, até só quer atrapalhar a vida dos outros. Como diz o aforismo: “se não te acompanha porque te atrasa?”, boa questão para quem se sente preso e condicionado, por quem quer tudo menos ganhar a vida por sua conta. Sim. Porque o que não falta, neste mundo, é quem queira ganhar a vida através dos outros, de uma forma mais fácil, mas sinceramente, muito menos proveitosa - diz a minha ingenuidade recheada de orgulho. Acredito que nem sempre seja fácil sabermos o que queremos, e também sei que isso dificulta que ganhemos a vida, mas a origem de tanto dilema existe, muitas vezes, na falta de sonhos, na falta da palavra “acreditar” que “eu consigo”!

Já noutros tempos, Horácio deixou em testamento que quando deixasse esta vida iria chorar por quem não aplicasse o seu Carpe Diem. Bem me lembro da tradução: “quando perder, de vez, esta e a única vida que tenho, vou chorar por cada ser que não se lembrar do meu histórico Carpe Diem, hão-de morrer afogados nas minhas lágrimas”. É sabido que Horácio era muito pouco optimista no que diz respeito ao viver amanhã invés de hoje, o que me leva a crer que o que safou, realmente, Horácio foi viver cada dia como se fosse o último. Sabemos lá nós se existem mais vidas para “gastar” para além desta! Parece que estou a utilizar a conotação dos videojogos dos mais novos, que têm cinco vidas para gastar, senão: GAME OVER. Aqui, para nós: só temos UMA!

Noto que muitos pensadores tiveram a necessidade de mostrar ao mundo que o dia tem que se viver intensa e também inteligentemente, claro. Então, vejamos as frases que o mundo conhece e que lhe mostram um pouco do que tenho estado a falar: HaKuna Matata, Viva la Vida e o célebre Carpe Diem, entre tantos outros significados que se podem subentender destas expressões. Não duvido que temos de ser inteligentes para saber ganhar bem a vida. Então, temos uma vida muito curta, temos sempre pessoas que, não sei porquê, não gostam de nós e que, como é óbvio, sem quererem, nos atrasam se faltar a tal inteligência para quem quer viver…

Concluindo, lamento que o mundo não perceba que o amanhã pode ser o último amanhã de todos. Que o mundo não perceba que, ao contrário dos videojogos, nós só temos uma vida e é essa vida que tem que ser cuidada como um carro novo, mas dando-lhe o uso que ela precisa para o seu dono poder dizer, com um grande sorriso: “eu estou a ganhar a vida”.

domingo, 2 de maio de 2010

Os dias que passam…


O tempo não quer, nem deve, parar. Mas a saudade deixa a lágrima escondida libertar-se para um mundo onde sentimos sem olhar, sem olhar quem não quer sentir como nós! Estou no terceiro período do meu 12º ano e o “secundário” foge-me das mãos como água.

A nostalgia tem aparecido dia após dia de uma forma estranha e difícil, ou seja, de uma forma que custa a aceitar e que jamais pode ser desprezada. São seis anos no mesmo espaço! Podemos reduzir em muito sumo estes seis anos escolares. São muitos dias, muitas horas de trabalho e suor passados com muitas pessoas comuns, durante tanto tempo, e que, ainda no mesmo local, já deixam tanta saudade. Não sei como será daqui a seis anos. Não sei se terei o mesmo sentimento no auge. Não sei sequer como posso estar. Sei sim que jamais esquecerei estes seis anos que me transformam em noventa por cento do que sou hoje! De cada canto, a cada lugar, a cada funcionário, a cada professor; do colega que apenas me ouviu dizer umas parvoíces para um funcionário e a partir daí nunca mais parou de contender com a minha pessoa, aos melhores amigos, e entenda-se por amigo todos aqueles que riram comigo, nunca os esquecerei.

Disse recentemente que tinha uma escola preparada para todo o tipo de ensino, para o bom e para o mau, e do melhor ao pior … E não retiro qualquer palavra, aprendi nesta escola a ser “pessoa nos dias de hoje”. Dias que andam afectados pelo: “salve-se quem puder”...

Confesso que já senti a maior paixão pela escola onde estou, mas a esta paixão começou a faltar uma coisa, o olhar na mesma direcção para atingir os mesmos objectivos, ou seja, a glória de todos. Mas é rara a paixão que tem e consegue os mesmos objectivos. Entenda-se por escola todos os que a compõem, desde alunos, funcionários aos “mestres” professores. Assim, considero que a fogueira, que iluminou tantas vezes esta escola, está congelada. Tudo foi feito para que a fogueira se apagasse, mas nem nada, nem ninguém conseguiu que ela se apagasse. Apenas conseguiram que permanecesse como um vulcão adormecido, ou como me apetece caracterizá-la: congelada! Dizem que congelar seja o que for é sempre um bom modo de conservação e sempre quis que a paixão ficasse bem conservada, já que me fez tantas vezes feliz.

Terminando, vou ter saudades de tudo o que esta escola me deu e, sem dúvida, vou ter muitas mais saudades de tudo o que eu pude dar a esta escola. Agora, não sei que hora é esta, sei sim que “É a hora”… Hora de sentir que o “adeus” tem que existir, e que o segredo da vida está em descobri-la e, para isso, é preciso virar a página.

Ah! Lembrei-me! É a hora de ter noção que os dias passam…

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uma poça de mel


“ … Falam do amor como uma espécie de hormona do crescimento, esquecendo que não é verdade que o amor seja um sentimento. Muito menos um bom sentimento, daqueles a que se recorre como se com ele se colorisse todo o universo em tons de pastel. O amor é, antes, uma consensualidade de sentimentos (aquilo que duas pessoas que se comovem trocam sem precisarem de saber como ou porquê) ” começo a escrever balançado por um excerto da obra “Chega-te a mim e deixa-te estar” de Eduardo Sá. Como sempre, comungo a opinião deste meu mestre e sendo assim tenho que lembrar mais um dos problemas do mundo: a falta de partilha de sentimentos verdadeiros, gestos ternurentos, palavras sérias, sonhos amplificados.

As pessoas devem mesmo pensar que tudo o que lhes pertence e lhes dá vida só é recordado se for bem guardado dentro delas, não entendem que é compartilhando que se forma vida, que se forma amor. Porque viver é amar. Considero que na escola temos amado muito pouco. O local onde mais se deve amar, ou melhor, partilhar, por exemplo, conhecimentos, está doente… Precisa de cuidados intensivos, não é caso para dramatizar, mas é caso para começar a ter muito cuidado com o contágio.

A ideia que a vida é tão efémera devia estar presente nos nossos dias para não complicarmos tudo a pensar em problemas que parecem exercícios acrobáticos inimagináveis de fazer. Passamos os nossos dias a esmagar o tempo, a desperdiçá-lo com tudo menos com o importante. Precisamos de dias verves, cheios de paixão, sorrisos, exageros, choques, surpresas. Tudo isto sem ilusão nenhuma, é a consciência que nos pode levar a sentir o quão bom é tudo o que nos rodeia. Não me admiro que dia menos dia se instaure uma ideia de carência que nos leve a implorar o que realmente precisamos. Seria de louvar começar a substituir o “Procura-se: CASA” por “Procura-se: ACONCHEGO”, ou por “Procura-se: ABRAÇOS”, ou até mais completo por “Procura-se: Alguém dador de AMOR”… Difícil seria encontrar a palavra “ofereço”, porém talvez alguém vá longe demais para poder ficar bem perto do que deseja.

Falta valorizarem-nos em tudo o que somos e fazemos, pois isso contribuía para que tudo fosse melhor e para que os “adeus” diminuíssem. Falta respirar quando dizemos um “adeus”. Falta abraçar quando temos que dizer “adeus” e não conseguimos. Falta arrojar o corpo nu pelo chão quando, chorando, dizemos “adeus”. Falta deixar de dizer “adeus”… Tantos põem o valor longe e tão poucos, de perto, e sem dizer “adeus”, valorizam. Um “adeus” é uma negação à linguagem que deve ser mantida de forma coesa para que não se torne um obstáculo ao conhecimento … Só a linguagem que vem do coração consegue ser verdadeira e sentida por nós.

Estamos na idade da força de libertação, não a podemos recusar. Cabe aos adultos não censurar cada dia da nossa vida de adolescentes. Cada dia de loucura que chega ao coração de todos nós guardando tudo o que mais tarde queremos recordar com um dos maiores prazeres, sem dizer “adeus” ao passado, pois recordar é viver.

Sem querer dizer adeus e querendo libertar-me como um louco lúcido, peço que se libertem e que por momentos sejam uma poça de mel. Exageradamente doce e liberta como qualquer poça…

Se vos sentir, sintam-me!

domingo, 31 de janeiro de 2010

Intervalo

Sou invisível e quero sê-lo.
Só me tornei alguém quando um carro parou, para me deixar passar…
Só me tornei alguém quando tropecei numa pedra de calçada.
Só me tornei alguém quando o frio arrepiou cada pêlo recolhido do meu corpo.
Só me tornei alguém quando me queimei no café
Servido pela amargura da empregada
Que nem ao meu sorriso reagiu.


Sou invisível e quero sê-lo.
Queria encher a avenida e não consigo.
Fico a ver quem me utiliza neste mundo,
Onde segundo a segundo terminam momentos longínquos
Só pela vontade de querer um intervalo.
Um mero intervalo.


Que noção díspar de invisibilidade.
Não querem ver a verdade ou acordar para a realidade,
Enquanto sonham com os pés e a cabeça na lua.
Que noção díspar de invisibilidade.
Não sabem sonhar com os pés na terra e com a cabeça na lua…
Que raiva! É assim que se sonha!


Queria libertar o sol deste universo que não o merece!
Queria ser um arco-íris num pedacinho de céu
Onde me fascinasse com a vontade de voltar a respirar.
Respirar vários sorrisos suaves e afluentes de muita cumplicidade,
Entre quem cede.


Agora não paro, nem quero parar.
Nem quem me aconselha, me aconselha a parar.
O velhinho duro e recheado de sabedoria sorri
E convence os meus pulmões a não parar…


Quem me dera saber fugir a cavalo. Porque não fujo!
Quem me dera saber calar. Porque não me calo!
Quem me dera saber ter um intervalo…


Quem me dera saber acabar com esta sede de amar, sonhar e existir…

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

... ='(

Estou farto do meu espelho. Insiste em mostrar o que não quero ver, insiste em mostrar cada derrota, cada bloqueio, cada porta fechada, cada pancada violenta no meu GPS… Choro. Nem sei bem porque o faço, não está em mim chorar. Desânimo, tristeza, melancolia, cansaço, desilusão costumam estar em mim, mas chorar, não... Por mais que me canse e diga “não”, um “não” meu torna-se, sempre, um sim falhado. Penso sempre na presença de uma janela, daquilo que me vai deixar voar novamente, aquilo que me vai trazer o ar renovado da respiração ofegante no meio de tanta lágrima, mas, uma corrente de ar volta a arrastar me até à casa escura, vazia, e abafada. Não dramatizo, sei que não… Tenho vontade de tudo e não faço nada, quero tudo e não tenho nada… Perco confiança, perco vontade de mais e melhor. Tristemente, lembro que “tudo é efémero” e que Reis é que a sabia toda…

Estou triste, desanimado, desiludido. Apetece-me férias, não do trabalho, mas de mim. Quero desaparecer, quero pôr um aviso na minha vida: “fechado, abre brevemente com nova gerência”… Não querendo, penso em tudo. Tenho 17 anos, são tão poucos e como posso ter tanto desânimo em mim, como??? São “nãos” que machucam o coração, aquele motor que puxa e puxa por mim em todas as ocasiões em que sinto que “vale a pena”. Mas também aquele motor que não aguenta e se desliga a pedir arranjo urgentemente. Desejo tanto, desejo pessoas, desejo conquistas, desejo falhar para me mostrar onde posso melhorar, desejo tudo e… pouco me sustenta. Se estamos na idade de querer mudar o mundo, a desilusão pela impotência é tão grande como o mundo carregado de lixo...

Não queria estar assim, não sei porque estou assim, pois eu não sou assim! Mas estou triste… farto de me esforçar, empenhar, trabalhar e no fim… fico a olhar para o que fiz e não devia de ter feito porque correu mal… como estou agora a fazê-lo…

Há tanto que não vale a pena… Mas tanto mesmo…

Assim, não me sintam, também não vos consigo sentir…

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