quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Dia do Pai



Num dia normal de aulas a professora de ensino primário chega à escola e diz:

- Bom dia meninos! Sabem que dia é hoje?

- Sim, professora! É o Dia do Pai.

- Isso mesmo. Acertaram, é o dia em que vocês têm de dar uma especial atenção aos vossos pais. Um beijinho de agradecimento por tudo o que eles vos fazem, um abracinho apertado que lhes mostre que vocês são os melhores filhos do mundo, é isso que tem que fazer neste dia. Aqui na escola vocês vão fazer um desenho onde coloquem tudo o que vos faça lembrar os vossos pais. Quando terminarem o desenho, escrevam “Feliz Dia do Pai” e o vosso nome. Depois das aulas, quando virem o vosso pai, dão-lhe o desenho e vão ver como ele vai ficar feliz.

Uns começaram por desenhar as ferramentas que os pais utilizavam nos seus trabalhos, outros desenhavam certas características físicas dos mesmos e, enquanto os alunos estavam empenhados a desenhar, a professora estava atenta ao seu aluno Francisco. Este não estava a desenhar, mantinha-se obcecado pelo branco da sua folha de papel.

- Francisco… Não fazes o desenho para o teu pai?

- Professora, o meu pai está no céu.

E, neste momento, a professora lembrou-se que o pai do Francisco tinha falecido há dias e que o que todos os adultos lhe tinham dito é que o pai tinha ido para o céu. Normalmente, é o que se diz aos mais novos, se alguém morre de imediato se diz que determinada pessoa teve de ir para o céu. Embora a professora tenha hesitado, continuou a responder-lhe.

- Sim, eu sei Francisco, mas tu lembras-te do teu pai, eu sei que sim, podes pensar nele e no que ele fazia e desenhar o desenho para ele, o que dizes?

- Acho boa ideia, a professora tem razão – responde o Francisco.

Chegando ao final a aula todos tinham terminado o desenho pedido pela professora, incluindo o Francisco, que após o incentivo da professora, rapidamente, terminou o desenho composto por lembranças do seu falecido pai.

A felicidade de todos não era indiferente. Eles tinham noção que iriam ver os seus pais felizes. Ao final do dia, em casa, todos eles entregaram o desenho e deram o abraço apertado que a professora aconselhou a darem, já o Francisco…

O Francisco ao chegar a casa mostrou o desenho à mãe e disse que era um desenho para lembrar o pai que está no céu. Neste momento, a mãe criou dentro de si uma ira tão grande, que conseguiu manter aos olhos do pequeno Francisco, mas apenas aos olhos deste, pois a sua raiva transbordava todo e qualquer corpo. A tristeza de ter perdido o pai do seu filho e a ingenuidade do Francisco fizeram com que a mãe, fragilizada com a morte do seu marido, criasse uma fúria enorme dentro de si. Contudo, o Francisco continua entretido.

- Cuidado Francisco - grita a mãe - tem cuidado com a janela. O que estás a fazer?

- Estou a pôr o desenho do pai no estendal da roupa para ele ver o desenho que eu fiz na escola lá do céu, onde ele está.

Neste momento a mãe não disse nada e o Francisco terminou o que estava a fazer. Durante a noite a mãe não aguentou! Foi à janela e tirou de lá o desenho feito pelo filho. Num momento de loucura, entre lágrimas, rasgou cada centímetro do desenho. Quando se apercebeu do que tinha feito, não queria acreditar e, de imediato, ligou para o psicólogo que tinha acompanhado a família após a morte do pai do Francisco.

- Boa noite Henrique… – dizia a mãe chorando e contando toda a história que se tinha passado.

- Não se preocupe, tenha calma, faça o que eu lhe digo, amanhã de manhã reaja como se não tivesse acontecido nada e, se alguma coisa de anormal acontecer ligue-me.

De manhã, a mãe já está na cozinha quando o Francisco acorda, e a sua primeira preocupação é em ir ver como está o desenho que fez para o seu pai. Aproximando-se da janela vê que o desenho não está lá e diz:

- Vês mãe! Eu sabia que o pai vinha buscar o meu desenho.

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