Sou invisível e quero sê-lo.
Só me tornei alguém quando um carro parou, para me deixar passar…
Só me tornei alguém quando tropecei numa pedra de calçada.
Só me tornei alguém quando o frio arrepiou cada pêlo recolhido do meu corpo.
Só me tornei alguém quando me queimei no café
Servido pela amargura da empregada
Que nem ao meu sorriso reagiu.
Sou invisível e quero sê-lo.
Queria encher a avenida e não consigo.
Fico a ver quem me utiliza neste mundo,
Onde segundo a segundo terminam momentos longínquos
Só pela vontade de querer um intervalo.
Um mero intervalo.
Que noção díspar de invisibilidade.
Não querem ver a verdade ou acordar para a realidade,
Enquanto sonham com os pés e a cabeça na lua.
Que noção díspar de invisibilidade.
Não sabem sonhar com os pés na terra e com a cabeça na lua…
Que raiva! É assim que se sonha!
Queria libertar o sol deste universo que não o merece!
Queria ser um arco-íris num pedacinho de céu
Onde me fascinasse com a vontade de voltar a respirar.
Respirar vários sorrisos suaves e afluentes de muita cumplicidade,
Entre quem cede.
Agora não paro, nem quero parar.
Nem quem me aconselha, me aconselha a parar.
O velhinho duro e recheado de sabedoria sorri
E convence os meus pulmões a não parar…
Quem me dera saber fugir a cavalo. Porque não fujo!
Quem me dera saber calar. Porque não me calo!
Quem me dera saber ter um intervalo…
Quem me dera saber acabar com esta sede de amar, sonhar e existir…

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