Estou farto do meu espelho. Insiste em mostrar o que não quero ver, insiste em mostrar cada derrota, cada bloqueio, cada porta fechada, cada pancada violenta no meu GPS… Choro. Nem sei bem porque o faço, não está em mim chorar. Desânimo, tristeza, melancolia, cansaço, desilusão costumam estar em mim, mas chorar, não... Por mais que me canse e diga “não”, um “não” meu torna-se, sempre, um sim falhado. Penso sempre na presença de uma janela, daquilo que me vai deixar voar novamente, aquilo que me vai trazer o ar renovado da respiração ofegante no meio de tanta lágrima, mas, uma corrente de ar volta a arrastar me até à casa escura, vazia, e abafada. Não dramatizo, sei que não… Tenho vontade de tudo e não faço nada, quero tudo e não tenho nada… Perco confiança, perco vontade de mais e melhor. Tristemente, lembro que “tudo é efémero” e que Reis é que a sabia toda…
Estou triste, desanimado, desiludido. Apetece-me férias, não do trabalho, mas de mim. Quero desaparecer, quero pôr um aviso na minha vida: “fechado, abre brevemente com nova gerência”… Não querendo, penso em tudo. Tenho 17 anos, são tão poucos e como posso ter tanto desânimo em mim, como??? São “nãos” que machucam o coração, aquele motor que puxa e puxa por mim em todas as ocasiões em que sinto que “vale a pena”. Mas também aquele motor que não aguenta e se desliga a pedir arranjo urgentemente. Desejo tanto, desejo pessoas, desejo conquistas, desejo falhar para me mostrar onde posso melhorar, desejo tudo e… pouco me sustenta. Se estamos na idade de querer mudar o mundo, a desilusão pela impotência é tão grande como o mundo carregado de lixo...
Não queria estar assim, não sei porque estou assim, pois eu não sou assim! Mas estou triste… farto de me esforçar, empenhar, trabalhar e no fim… fico a olhar para o que fiz e não devia de ter feito porque correu mal… como estou agora a fazê-lo…
Há tanto que não vale a pena… Mas tanto mesmo…
Assim, não me sintam, também não vos consigo sentir…

1 comentário:
Entendo o que sentes.Sei,por experiência, que não vale a pena dizer-te nada. Há momentos em que só o sofrimento preenche o vazio que, inexplicavelmente, nos invade.
Tu estás, parece-me, numa fase em que necessitas de sofrer: pelo motivo A; pelo motivo ; sem motivo.
A isso chama-se o medo se ser adulto, o horror de crescer. Tu és, irremediavelmente, um homem e, por isso, estás de luto por um rapazinho, um menino chamado Edgar que desapareceu.
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