
Nas épocas medievais, o riso era temido por afastar o medo. Numa altura em que poucos eram alfabetizados o riso poderia despertar maior liberdade de interrogação, sobre o mundo em que se vivia, a quem permanecia de olhos abertos, mas a olhar para onde queria a igreja cristã, da Idade Média. Ou seja, o gesto de rir era temido pelo facto de findar com quem tanto temia. O riso iria ser a porta aberta para a luta contra a mistificação, contra o poder e contra o esvaziamento dos valores pela demagogia.
Quantas situações do nosso dia-a-dia são resolvidas com o mero sorriso? Vou às finanças pedir um documento e, para isso, é preciso o bilhete de identidade, por azar, esqueci-me dele em casa. O documento é-me mesmo urgente e a repartição das finanças fecha às 17.00 horas, são 16.50 horas, é impossível ir a casa. Desde logo se recorre ao gesto mais fácil de apelo à simpatia do senhor, que me vai atender, o maior sorriso de sempre e com muitos “dê lá um jeitinho, por favor, Deus não dorme, acredite…”. Ou então, numa situação de embaraço, esqueci-me de colocar dinheiro na minha carteira, só dou por esse facto no acto de pagamento. “ - Ups, importa-se que venha cá pagar daqui a pouco, eu não me esqueço…” e, tudo isto com aquele sorriso amarelo que não sabe bem o que vai receber em troca. O riso costuma funcionar muito bem nestas situações porque o nosso cérebro está formatado para a compreensão de “do ut des”, ou seja, dou para que tu dês.
Desde sempre, que o humor levantou problemas, pelo menos até 1974, o humor ainda era das poucas armas que podia ser utilizada para dar opiniões e demonstrar ora agrado, ora desagrado por algumas medidas políticas e religiosas. Contudo, muitas vezes a mensagem era óbvia demais e a sátira era, tristemente, censurada.
Já na Arte Grega se reconhecia o valor do sorriso. Naquilo que era uma representação idealista do corpo humano, destacava-se os sorrisos sublinhando a alegria e a felicidade, podendo ainda ser vistos como expressão de vitalidade, uma vez que o ser humano falecido já não pode sorrir. Sorrir é ganhar vida! O mundo continua a confundir um ser sério de um ser sisudo. Uma pessoa séria ri com agrado, uma pessoa sisuda pode fazer tudo, menos rir. Espero que as pessoas não pensem que quanto mais riem menos sérias são, pois é uma grande mentira.
Recorrendo novamente às palavras de um mestre, Eduardo Sá, ”só as pessoas que se comovem são capazes de rir”. E é tão verdade! Rir dá vida, comove, encoraja, não tem preço, descansa e relaxa qualquer tipo de dor… Na minha opinião, a palavra RIR é um acrónimo que quer dizer: Receita Indispensável Regular.
Só não gosto dos risos forçados, esses perdem tudo o que os verdadeiros ganham. Das gargalhadas activas aos sorrisos mais envergonhados todos eles são fundamentais. O riso exercita quase todos os músculos faciais e outros abdominais. Rir relaxa-nos da tensão que são os nossos dias. Com o riso o nosso ritmo cardíaco pode chegar aos 120 batimentos por minuto aumentando a oxigenação das células. Para os pulmões as gargalhadas ajudam porque conseguimos fazer uma inalação de ar mais profunda e o excesso de dióxido de carbono é eliminado. Por isso, temos que rir mais, a nossa saúde exige o riso seja aumentado durante o dia.
Pense no que o sorriso lhe pode trazer, um pessoa que sorri consegue contagiar as pessoas que a rodeiam e assim propiciar um ambiente de maior felicidade. As pessoas que sorriem, e que são bem-humoradas têm outra realidade na vida diária, certamente, melhor.
As provas estão mais que dadas, rir ajuda-nos tanto ao nível físico como emocional sem nos cobrar rigorosamente nada por isso. Concluo que quem ri com mais frequência tem uma vida muito mais saudável e alegre do que uma pessoa sisuda. Vamos apelar aos médicos que comecem a recomendar mais a “RIR” durante o dia, nem que seja rir de si mesmo…

4 comentários:
escreves tãooo bemmm :oo
estou a seguir *
Ainda bem que gostaste...
Escrevo para ser lido!
adoro a tua escrita! *ooo*
Cristiana, Obrigado
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