quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O melhor do mundo não são as crianças!


Ao contrário do que se diz, o melhor do mundo não são as crianças, mas sim, o que os adultos conseguem fazer com o melhor das crianças. As crianças surpreendem-nos de tal forma que muitas vezes somos levados a dizer e a ouvir: “o melhor do mundo são as crianças”. Uma imitação dos adultos inesperada, uma verdade dita - quando não é para ser dita - no momento certo, uma ingenuidade perfeita que vê o que está à altura das crianças, faz com que os olhos dos mais velhos brilhem espontaneamente.

A minha filha chama-se Alice e têm 8 anos. É uma menina inteligente, perspicaz e, quando menos esperamos, arrebata os que pensam que sabem muito. Na escola, a professora sempre reparou na atenção da Alice nas aulas, «é uma menina que se interroga sobre tudo o que não está tão esclarecido, nem muitas vezes para os mais sábios» - diz a professora contente com o seu interesse. Numa noite de verão, fui passear com a minha filha, uma criança igual a qualquer outra. A Alice ia distraída a olhar para o céu, no entanto eu avisava-a mais que uma vez para ir atenta ao caminho não pudesse ela bater em algum objecto que a magoasse. A minha filha ao parar de olhar para o céu perguntou-me:

- Pai! Quem faz as estrelas?

E aí todo o meu intelecto parou abismado com tal pergunta. A Alice mais uma vez surpreendeu-me . Uma vez ensinaram-me que quando nos é interrogado algo que nós não sabemos o melhor que temos a dizer é “boa pergunta!”. Quem recebe esta resposta fica tão orgulhoso da sua inteligência, por ter feito tal pergunta, que despreza obter resposta. E eu inteligentemente digo:

- Boa pergunta!

Contudo, esqueci-me de um grande pormenor. Estava a falar com uma menina de 8 anos que tão pouco se importa com a sua inteligência. Quando somos mais novos, na tal idade da inocência, quando temos pouca maldade o que nos importa não é a inteligência, mas sim em saber a verdade e que não nos aborreçam com o que é mau e feio. Sim, porque a beleza é avaliada desde que nascemos. A beleza, o que move o mundo, (desenganem-se se pensam que é o dinheiro) é apreciada desde o primeiro movimento de respiração que fazemos. Mas continuando com o que me aconteceu, a minha filha desde logo me olhou daquela forma em que parece que se inverteram os papéis, ela é que passou a ser o pai e eu a filha por não saber responder a tal questão.

- Pai é boa pergunta, mas ainda não me respondeste! – Pois eu sabia que não, mas também não sabia bem o que dizer… Ouvindo o que ouvi da minha filha pensei noutra alternativa, de me livrar da pergunta tão difícil, também muito inteligente, embora tivesse dúvida se resultaria ou não. A alternativa passa por perguntar qual seria a resposta dela à pergunta que me fez. Também costuma resultar.

- Então filha, quem tu achas que faz as estrelas? - Ela hesitou e eu pensei que ainda não tinha sido desta que me tinha livrado daquela questão tramada. Podia mentir, mas também não o queria fazer. Mentir não ajuda em nada quando falamos com crianças. É preferível a verdade por mais dura e difícil seja de aceitar do que a mentira. Só que neste caso não me adianta muito dizer a verdade, a Alice não irá perceber como as estrelas nascem. Uma verdade posso retirar daqui, não estou a mentir, mas estou a fugir cuidadosamente da verdade.

A minha filha decidiu então dizer-me o que acha acerca da “produção” de estrelas. Puxou pela minha mão para pararmos, olhou novamente em torno de todo o céu visível e respondeu-me:

- Pai, para mim… Quem faz as estrelas é a lua!

E com esta resposta fico sem palavras, mas penso que o melhor do mundo é o melhor das melhores, das crianças.

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