sábado, 22 de maio de 2010

Ganhar a vida!


A expressão “ganhar a vida” tem uma conotação que me assusta. Normalmente, oiço estas palavras quando alguém quer dizer que vai trabalhar, vai para o seu emprego, vai entrar ao serviço durante determinadas horas, permitindo que ao final do mês possa receber o salário que, geralmente, não é o justo.

Considero que ganhar a vida não é trabalhar para sobreviver. No mínimo, ganhar a vida é aproveitar o que se ganha com o trabalho, não apenas dinheiro, mas também, por exemplo, liberdade, conhecimento, independência, experiência e até sabedoria…

A vida de muita boa gente só tem sido perdida, nunca ganha. Lamento! Alguém que compra um carro caro, deixa-o na garagem e não lhe dá uso porque tem medo que seja riscado. É como nas vidas, não lhes dão uso! E diga-se, as vidas são mal empregues a muita boa gente que as desperdiça. Quem me dera a mim ter as vidas de quem não quer viver, e muitas vezes, até só quer atrapalhar a vida dos outros. Como diz o aforismo: “se não te acompanha porque te atrasa?”, boa questão para quem se sente preso e condicionado, por quem quer tudo menos ganhar a vida por sua conta. Sim. Porque o que não falta, neste mundo, é quem queira ganhar a vida através dos outros, de uma forma mais fácil, mas sinceramente, muito menos proveitosa - diz a minha ingenuidade recheada de orgulho. Acredito que nem sempre seja fácil sabermos o que queremos, e também sei que isso dificulta que ganhemos a vida, mas a origem de tanto dilema existe, muitas vezes, na falta de sonhos, na falta da palavra “acreditar” que “eu consigo”!

Já noutros tempos, Horácio deixou em testamento que quando deixasse esta vida iria chorar por quem não aplicasse o seu Carpe Diem. Bem me lembro da tradução: “quando perder, de vez, esta e a única vida que tenho, vou chorar por cada ser que não se lembrar do meu histórico Carpe Diem, hão-de morrer afogados nas minhas lágrimas”. É sabido que Horácio era muito pouco optimista no que diz respeito ao viver amanhã invés de hoje, o que me leva a crer que o que safou, realmente, Horácio foi viver cada dia como se fosse o último. Sabemos lá nós se existem mais vidas para “gastar” para além desta! Parece que estou a utilizar a conotação dos videojogos dos mais novos, que têm cinco vidas para gastar, senão: GAME OVER. Aqui, para nós: só temos UMA!

Noto que muitos pensadores tiveram a necessidade de mostrar ao mundo que o dia tem que se viver intensa e também inteligentemente, claro. Então, vejamos as frases que o mundo conhece e que lhe mostram um pouco do que tenho estado a falar: HaKuna Matata, Viva la Vida e o célebre Carpe Diem, entre tantos outros significados que se podem subentender destas expressões. Não duvido que temos de ser inteligentes para saber ganhar bem a vida. Então, temos uma vida muito curta, temos sempre pessoas que, não sei porquê, não gostam de nós e que, como é óbvio, sem quererem, nos atrasam se faltar a tal inteligência para quem quer viver…

Concluindo, lamento que o mundo não perceba que o amanhã pode ser o último amanhã de todos. Que o mundo não perceba que, ao contrário dos videojogos, nós só temos uma vida e é essa vida que tem que ser cuidada como um carro novo, mas dando-lhe o uso que ela precisa para o seu dono poder dizer, com um grande sorriso: “eu estou a ganhar a vida”.

domingo, 2 de maio de 2010

Os dias que passam…


O tempo não quer, nem deve, parar. Mas a saudade deixa a lágrima escondida libertar-se para um mundo onde sentimos sem olhar, sem olhar quem não quer sentir como nós! Estou no terceiro período do meu 12º ano e o “secundário” foge-me das mãos como água.

A nostalgia tem aparecido dia após dia de uma forma estranha e difícil, ou seja, de uma forma que custa a aceitar e que jamais pode ser desprezada. São seis anos no mesmo espaço! Podemos reduzir em muito sumo estes seis anos escolares. São muitos dias, muitas horas de trabalho e suor passados com muitas pessoas comuns, durante tanto tempo, e que, ainda no mesmo local, já deixam tanta saudade. Não sei como será daqui a seis anos. Não sei se terei o mesmo sentimento no auge. Não sei sequer como posso estar. Sei sim que jamais esquecerei estes seis anos que me transformam em noventa por cento do que sou hoje! De cada canto, a cada lugar, a cada funcionário, a cada professor; do colega que apenas me ouviu dizer umas parvoíces para um funcionário e a partir daí nunca mais parou de contender com a minha pessoa, aos melhores amigos, e entenda-se por amigo todos aqueles que riram comigo, nunca os esquecerei.

Disse recentemente que tinha uma escola preparada para todo o tipo de ensino, para o bom e para o mau, e do melhor ao pior … E não retiro qualquer palavra, aprendi nesta escola a ser “pessoa nos dias de hoje”. Dias que andam afectados pelo: “salve-se quem puder”...

Confesso que já senti a maior paixão pela escola onde estou, mas a esta paixão começou a faltar uma coisa, o olhar na mesma direcção para atingir os mesmos objectivos, ou seja, a glória de todos. Mas é rara a paixão que tem e consegue os mesmos objectivos. Entenda-se por escola todos os que a compõem, desde alunos, funcionários aos “mestres” professores. Assim, considero que a fogueira, que iluminou tantas vezes esta escola, está congelada. Tudo foi feito para que a fogueira se apagasse, mas nem nada, nem ninguém conseguiu que ela se apagasse. Apenas conseguiram que permanecesse como um vulcão adormecido, ou como me apetece caracterizá-la: congelada! Dizem que congelar seja o que for é sempre um bom modo de conservação e sempre quis que a paixão ficasse bem conservada, já que me fez tantas vezes feliz.

Terminando, vou ter saudades de tudo o que esta escola me deu e, sem dúvida, vou ter muitas mais saudades de tudo o que eu pude dar a esta escola. Agora, não sei que hora é esta, sei sim que “É a hora”… Hora de sentir que o “adeus” tem que existir, e que o segredo da vida está em descobri-la e, para isso, é preciso virar a página.

Ah! Lembrei-me! É a hora de ter noção que os dias passam…

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