quarta-feira, 27 de maio de 2009

Doce e…

O que é a dúvida? Será que é quem dissipa a dúvida que a cria? Será que, duvidando da nossa existência, vale a pena acreditar nas dúvidas e assim aprender, dissipando-as? Num mundo onde cada dilema pode provocar o abismo, prefiro pensar e seleccionar as verdades…

À pergunta, simples e clara, “qual é o contrário de doce?”, reparo na dúvida que existe de quem duvida. Apenas porque a pergunta foi feita e não pela pergunta em si, que até parece fácil! Já sei que pensaram numa resposta. E é…

À primeira impressão, e sem se pensar muito, responde-se prontamente: salgado! O contrário de doce é salgado. Mas eu discordo. E se eu disser: amargo? Como ficamos? O contrário de doce é salgado ou amargo? Três fundamentais paladares na vida: o doce, o salgado, e o amargo!

Quero o amargo para perceber que a vida nem sempre é como desejamos e nem sempre nos agrada. Que nem sempre somos quem somos e, por isso, erramos, aprendendo! Quero o amargo para chorar e pensar como cuspir da melhor forma o gosto azedo que atormenta até os peixes perdidos na poluição da nossa vida contaminada! O amargo sente-se quando me desiludo, quando enjoo só de pensar em bicos pontiagudos espetados num coração fraco, como o meu! Os enojados transformam-se em nojentos! Quero sentir o fel da dor e amar sem travões loucos e estúpidos. Depois de sentir o azedo da vida, gritar até me cansar para ouvir o meu eco, retribuindo: “Chega-te a mim e deixa-te estar”…   

Quero o salgado! Quero o salgado para que a loucura faça sentido nos outros, porque, em mim, já não há sentido sem loucura! Quero o salgado para sentir lá no fundo a comichão habitual de quem exagera, sente e brinca com o resto do mundo! Quero o salgado da agressividade! Não da violência, mas sim, da agressividade dura e pura de quem se liberta e cresce o máximo para ser visto! Quero o salgado para aprender a passar barreiras e ganhar os Jogos Olímpicos do Saber Viver. Porque eu não quero uma vida sem barreiras, eu quero uma vida ultrapassando: malditas barreiras, desagradáveis lombas, tristes paredes, nojentos limites…

Quero o doce! Quero saborear até dizer “chega”. Quero ser eu e poder dizê-lo, sem temer mordaças ou ideias sujas e infectadas pelo veneno da inveja! Não quero ser simpático, quero ser doce! Não quero agradar, quero ser doce! Não quero ser meigo, quero ser doce! Poder pensar que sou bem interpretado, sendo doce, é tão difícil. Quase sempre se pensa que existem segundas intenções, mas, para mim, só existe uma e não é segunda intenção, é a única intenção: ser doce! Quero ser doce como leite condensado espalhando-se na boca e tocando no coração! Quero derreter como o chocolate no quente de um peito que me agarra e me deixa sonhando com o doce… Quero ler e ouvir palavras conscientes que me façam sentir útil e me construam sendo um doce para quem me merece. Quero ser dono de palavras negras mas brilhantes para o papel se tornar mais vincado com, apenas, puro doce!

 Na mais fiel representação da loucura, no amor, encontramos tantos gostos perdidos. Três deles: o amargo, o salgado e o doce! Se alguém neste mundo amou, sentiu a vontade de vomitar o sentimento amargo de ser rejeitado ou de ser posto de lado. Se alguém neste muito amou, sentiu a loucura de lutar por qualquer aventura apaixonante, atirando-se de cabeça e não se arrependendo, nunca! Se alguém neste mundo amou, sentiu o verdadeiro doce da vida. Sentiu o que é ser agarrado e alastrado pelo céu, com apenas uma recta traçada no nosso horizonte. Foi feliz e fez alguém feliz! Quero chover e ser ensopado por todos os que me querem sentir. Se chover como chuva ácida que seja, que corroa quem me ignora. Se chover como chuva sobre um beijo marcante e sorridente, que eu seja a ternura que o preenche!

Quero ser amargo e salgado, crescendo e aprendendo a ser um doce amor!  

Sinto-vos. Sintam-me! 

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